O Centro Flamenco de Sevilla: a culminação de um modelo iniciado em 2018
Quando o Centro Flamenco de Sevilla abriu as portas em 2022, Miguel Ortiz já levava vários anos a desenvolver uma nova forma de comercializar o flamenco. Desde 2018 vinha a integrar venda online, SEO, sites orientados para conversão, reserva pelo telemóvel, automatização, distribuição digital e sistemas de acompanhamento comercial. O novo tablao permitiu reunir todas essas peças num projeto concebido de raiz.
Por isso, o Centro Flamenco de Sevilla pode ser entendido como um laboratório de digitalização completa do tablao. Já não se tratava de acrescentar ferramentas digitais a uma estrutura anterior, mas de desenhar o negócio pensando simultaneamente no palco e na distribuição: sessões concretas, lotação limitada, modalidades de bilhete, conteúdo visual, informação prática, idiomas, reserva direta e um processo de compra compreensível para alguém que talvez estivesse a organizar a viagem a partir de outro país.
A aprendizagem mais importante não foi tecnológica, mas comercial. A venda online obriga a explicar melhor o produto. O utilizador precisa de saber o que vai ver, onde fica o espaço, quanto dura a experiência, o que inclui o bilhete e porque deveria escolher aquele espetáculo em vez de outros. Uma ficha incompleta na Internet não pode ser compensada pela conversa que antes teria com alguém da receção: o cliente pode simplesmente fechar a página e comprar noutro sítio.
Por isso, a digitalização acabou também por influenciar a forma de apresentar o flamenco. Fotografia, vídeo, traduções, descrição do espetáculo, perguntas frequentes, mapas, avaliações e condições de compra deixaram de ser elementos secundários. Passaram a fazer parte do percurso que leva do interesse inicial à reserva.